Uma retrospectiva (um pouco) às avessas - Blog da Fórmula-1 de Daniel Dias - Dias ao Volante

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Uma retrospectiva (um pouco) às avessas

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Publicado por em F-1 ·

Terminada a primeira temporada com a Fórmula-1 sob nova direção, da norte-americana Liberty, nada mais óbvio que se aponte os destaques do campeonato, assim como os pontos negativos. Seria evidente apontar o inglês Lewis Hamilton, o campeão, como o melhor piloto do ano, seguido na cola pelo alemão Sebastian Vettel. Os dois protagonizaram uma disputa emocionante, como há muito tempo não víamos entre duas equipes diferentes, no caso, a Mercedes e a Ferrari. Até a escuderia italiana errar feito uma principiante no terço final da temporada.
Mas para fugir das manjadas retrospectivas, é divertido brincar um pouco buscando os melhores do resto da turma, dos bravos heróis da resistência, que encararam a bronca sem ter uma Mercedes ou uma Ferrari nas mãos. Na parte de baixo, no entanto, com os piores do circo, os habitantes do porão, receberão o tratamento tradicional, sem complacência. Embora tenha enfrentado problemas nas duas últimas corridas, Brasil e Abu Dhabi, o australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull, foi o grande cara de 2017, com uma vitória, no Azerbaijão, oito pódios e atuações convincentes, além de ganhar a parada contra o companheiro, o holandês Max Verstappen, a joia de ouro entre os novos talentos. Mesmo se colocarmos Hamilton, Vettel, o espanhol Fernando Alonso e o finlandês Kimi Raikkonen, Ricciardo talvez seja o piloto mais técnico da atualidade, sem deixar de lado o arrojo.
Fica também na Red Bull o título de melhor carro do ano, com apenas metade da temporada de percurso. Explica-se: envolvido com o projeto do superesportivo AM-RB 001 – parceria da equipe austríaca com a Aston Martin -, o projetista inglês Adrian Newey não participou ativamente da criação do RB13, o bólido de Ricciardo e Verstappen. Na metade do ano, Newey foi convocado pela equipe e “desentortou” o carro, que fez as últimas etapas do campeonato quase junto à Mercedes e à Ferrari.
Se a F-1 continua tendo as melhores pistas do mundo – Spa-Francorchamps, Monza, Silverstone e Circuito das Américas, só para dizer que não foi mencionado um dos novos -, permanece com aberrações de todos os tipos, como Marina Bay, em Cingapura, Baku, no Azerbaijão, e, notadamente, Yas Marina, em Abu Dhabi. Mônaco é um caso à parte, por favor!
O circuito dos Emirados Árabes Unidos é a legítima Mil e Uma Noites, lindo, com visual magnífico e um local ultramoderno. No entanto, como Nelson Piquet disse na inauguração de Magny-Cours, na França, em 1991: “só esqueceram de fazer a pista”. Não que o Yas Marina seja uma “pista de kart”, o Yas Marina não é uma pista de automobilismo. E assim deve ser tratado.
Um circuito entra no coração dos pilotos por algumas características, por curvas marcantes ou por pontos desafiadores, e acaba ficando conhecido por isto. O novo Interlagos, por exemplo, surgido em 89, é uma pista chata, bem distante do antigo traçado do autódromo paulistano. Entretanto, tem o S do Senna e o Laranjinha. Yas Marina não tem nada, só beleza!
Ainda entre a turma do porão, três pilotos foram ou continuam sendo “ETs” no grid. O pior sem a menor sombra de dúvidas é Marcus Ericsson. O sueco não encontra absolvição nem na precariedade da Sauber, pois o alemão Pascal Wehrlein consegue alguma coisa com a mesma “carroça suíça”.
Já o inglês Jolyon Palmer e o dinamarquês Kevin Magnussen estão em outro patamar: não são pilotos de F-1. O primeiro irritou tanto a Renault que recebeu um pontapé na bunda logo após a metade da temporada, substituído pelo espanhol Carlos Sainz Jr., um dos bons nomes da nova safra.
Quanto a Magnussen, ninguém sabe ao certo o motivo de ele estar dentro do cockpit de um carro da principal categoria do automobilismo. Só para ficarmos na prova mais recente, o dinamarquês fez duas bobagens – captadas pela câmara onbord da Haas – na primeira volta que mereceriam “fuzilamento”. Apesar disto, no terreno do surrealismo, Magnussen teve contrato renovado para 2018. Por esta razão, a norte-americana Haas não tem o direito de reclamar da vida.
Em qualquer esporte ou ramo da vida, tem os melhores e os piores. A história e as estatísticas apontarão para sempre nos livros que Hamilton foi o melhor piloto de 2017. E estarão certos. Mas é bom saber também que a temporada não teve apenas o ótimo piloto inglês.
Ah, na foto aí de cima, está o melhor, Ricciardo, no pior circuito, Abu Dhabi.



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